De olho na eleição presidencial, governador de Minas Gerais quer aumentar a sua visibilidade a qualquer preço

O método de Zema para tentar chegar competitivo em 2026

Romeu Zema tem se notabilizado pelas asneiras que fala apostando que isso lhe renderá votos. Foto: Gil Leonardi

Por mais que falar asneiras, proferir ofensas, propor absurdos e apostar na divisão dos brasileiros possa causar espanto e ajudar a criar um ambiente ruim no país, nenhuma dessas sandices parece ter maior importância para o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que tem se especializado na arte de expressá-las. O que parece estar valendo para ele, é que, bem ou mal, se fale dele. Esse é o método que ao que tudo indica Zema abraçou, para levar adiante o seu projeto de poder, chegando em 2026 conhecido nacionalmente e, quem sabe, com alguma força para disputar a eleição presidencial, mesmo que não seja encabeçando a chapa.

Uma estratégia arriscada, mas que nada tem de original. Ela remete a um filme de péssima qualidade já visto algumas vezes ao longo da história, protagonizado por péssimos atores, com um roteiro pior ainda, e que definitivamente não traz boas recordações pelos estragos causados ao país.

O problema é que tal estratégia foi testada com sucesso por atores políticos canastrões nada recomendáveis como Jânio Quadros, Fernando Collor e, mais recentemente, por Jair Bolsonaro, que a levou ao extremo dos extremos com as besteiras destiladas por ele diária e exaustivamente, até ao ponto de causarem náuseas e principalmente milhares de mortos durante a pandemia do Covid. É bom ressaltar que o modo de atuar de Bolsonaro serviu para rebaixar o filme de categoria, nivelou o que já era terrível a um espetáculo dantesco, repleto de perversidade, capaz de causar os piores efeitos e pesadelos.

Independentemente disso, se a fórmula já deu certo, por que Zema não poderia adotá-la? Para isso, basta escolher um alvo e partir pra cima. Ainda que a sua aparição se dê de maneira negativa, como no caso dos ataques recorrentes às populações das regiões Norte e Nordeste, o que conta é ter seu nome exposto na mídia a fim de ajudar a retê-lo na memória do eleitorado e atrair a extrema direita para o seu lado.

Preconceito recorrente

Tornar os nordestinos e os nortistas alvos de seu preconceito, endereçar ódio a eles, ridicularizá-los e classificá-los de “vaquinhas improdutivas”, acusar os seus estados de serem um peso para os ricos do Sul e do Sudeste do país, defender a construção de uma frente da direita do Sul/Sudeste contra a esquerda do Norte/Nordeste, como ele já fez uma vez e voltou a fazer na entrevista publicada pelo Estadão no sábado (5), mostram que o método já está posto à prova.

Se ao final, a repercussão for muito negativa, é só ir até as redes sociais e dizer que foi mal interpretado, que não quis dizer tal coisa ou que sua fala foi tirada do contexto. No caso, o que se almeja é aumentar a sua visibilidade a qualquer custo, mesmo que para isso venha a ser taxado de bobo, ignorante, tosco ou de burro, coisa que ele não é, e perder uma fatia importante do eleitorado.

Outros objetivos

Além de alcançar a fama de modo discutível, há no momento outros três objetivos perseguidos por Zema e pelo seu grupo político. O primeiro, já mencionado acima, é conquistar o apoio da extrema direita, que adora esse tipo de pregação ofensiva e que, desde que Bolsonaro se tornou inelegível, encontra-se órfã à procura de um outro alguém para chamar de mito.

Essa conquista é fundamental para a sobrevivência política de Zema, já que ele não pode se reeleger em Minas, e nem, pelo menos por ora, pensar sair candidato à presidência, tendo pela frente a indignação do Norte e do Nordeste, ambos agredidos por ele.

Desse modo, a saída para ele pode estar no espólio do Jair. Se conseguir herdá-lo, as suas chances aumentam e Zema poderá sonhar mais alto, se cacifando como líder da extrema direita, por exemplo, ao posto de vice, numa eventual chapa que venha a ser formada, seja pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), ou pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Outro objetivo de Zema que pode ser considerado mais fácil é angariar para o seu lado, os incautos que sempre estão por aí, e que acreditam nos disparates que ele diz. E o terceiro, esse, talvez, o mais difícil, é conter o avanço de Tarcísio que, embora seja bem mais conhecido do que seu colega mineiro, procura se fortalecer e viabilizar uma eventual candidatura à reeleição ao governo paulista ou à presidência da República, olhando sempre à direita, precisamente para o mesmo segmento de eleitores da direita e da extrema-direita reivindicado por Zema.

Leite apressou-se e saiu em defesa das falas repulsivas de Zema. Já Tarcísio, não se manifestou. O governador paulista tem sido mais comedido na suas falas, mas demonstrando estar seguindo no mesmo diapasão de Zema, acenando para o público-alvo em disputa.

Mas a chacina policial ocorrida no Guarujá, ao ser referendada por ele, mostrou que se preciso for, Tarcísio poderá tocar a banda um tom acima. A ver como poderá ser a reação de Zema, caso o roteiro passe a contar com mais cenas de violência explícitas protagonizadas pela PM paulista, que assim, como os impropérios proferidos pelo governador mineiro, tem provocado estragos junto à opinião pública.

Nessa somatória macabra, Tarcísio parece levar a vantagem, pois a direita e a extrema direita tendem sempre a aplaudir a ação da polícia. Zema também consegue agradá-las com seu discurso, mas perde apoio fundamental no enorme eleitorado formado pelos estados do Norte/Nordeste – os alvos de suas tolices.

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Uma resposta

  1. Zema tem raízes fascistas. É demagogo e tem uma porção de defeitos mais. Queimado no Nordeste, não achará quem o queira como companheiro de chapa em 2026. Assim, só lhe resta ser senador, o que não será difícil num Estado como Minas Gerais.

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